domingo, 13 de setembro de 2015

Qual é a crise?

Estamos em um momento de crise política, muito maior e mais preocupante do que a crise econômica apontada pelos especialistas. Se compararmos alguns indicadores do ano 2002, que em nossa história recente não é considerado um ano de crise, com o ano de 2015, poderemos ter uma pequena dimensão de minha afirmação.

Em 2002: taxa de desemprego: 12,5%; juros SELIC: 20%; produção de veículos: 1,6 milhões de unidades; produção agrícola: 99 milhões de toneladas; inflação: 12,5%; taxa de mortalidade infantil: 35/1000; e salário mínimo: 200 reais (80 dólares). Em 2015, previsão: taxa de desemprego 8,1%; juros SELIC: 14%; produção de veículos: 2,4 milhões de unidades; produção agrícola: 208 milhões de toneladas; inflação: 9,3%; taxa de mortalidade infantil: 19/1000 e salário mínimo: 788 reais (230 dólares). Apesar de esses indicadores serem bem melhores hoje, havia por parte dos brasileiros uma expectativa de melhoria permanente na economia, quando se tem como referência, por exemplo, o ano de 2012. Há uma crise econômica no Brasil, por enquanto, pequena. Vários países passaram ou estão passando por uma neste momento. O capitalismo não é solidário.

O que faz a crise econômica parecer grande e sem perspectivas é a crise política que vivemos. E por crise política pode-se entender alguns fatores recentes e entrelaçados. Sucessivas denúncias de corrupção de lideranças partidárias e de grandes empresários, que fragilizam a confiança nos governos. Questionamento impulsivo do processo eleitoral democrático e tentativas de impeachment da presidente, sem fundamentos efetivos e constitucionais. Congresso Nacional volátil, que meses depois do início de um novo governo, ainda vive no clima eleitoral de disputas, deixando de ser protagonista de soluções possíveis para o momento. Postura do governo federal em apresentar soluções fracionadas e de natureza meramente orçamentária, em contradição com o que defendia até pouco tempo. Surgimento acentuado de sectarismos partidários, religiosos e sociais que revelam uma cultura de intolerância e irracionalidade. E, reforma política superficial, equivocada e com interesses meramente corporativos, fora de consonância com o desejo da população.

Com este conjunto de fatores, que define a crise política, qual investidor quer trazer dinheiro para o Brasil agora? Com esse clima instável e de desconfiança, o que a maioria faz é esperar uma definição mais sólida. Grande parcela dos brasileiros ‘dá um trato’ no carro usado e deixa a compra de um novo para depois. Prestações novas nem pensar! Todos aguardam que se resolva a crise política. A econômica ficará mais curta, e menos profunda, por decorrência.

Publicado no Jornal de Jundiaí em setembro/2015: http://www.jj.com.br/colunistas.asp?codigo=1712